segunda-feira, 13 de julho de 2009

Leitura para o Inverno


"Que é tetralo..." arrisquei.

"É a arte de cortar um cabelo em quatro. Esse departamento compreende o ensino das técnicas inúteis, por exemplo: a Avunculogratulação Mecânica ensina a construir máquinas para cumprimentar a tia. Estamos em dúvida se deixamos nesse departamento a Pilocatábase, que é a arte de escapar por um fio, e que não parece de todo inútil. Não acha?"

"Por favor, me digam primeiro o que é essa história..." implorei.

"É que Diotallevi, e eu próprio, estamos projetando uma reforma do saber. Uma Faculdade da Irrelevância Comparada, onde se estudam matérias inúteis ou impossíveis. A faculdade tende a reproduzir estudiosos em grau de aumentar ao infinito o número de matérias irrelevantes."
Umberto Eco
in
O Fêndulo de Foucault


Se este livro não me lembrasse tanto
“O Código da Vinci” teria sido capaz de o ler até ao fim...

domingo, 5 de julho de 2009

Outro da gaveta

CÂMARA: ACÇÃO

Agora, precisamente agora,
Neste milímetro quadrado do esquecimento,
Um pneu Goodyear esmaga o firmamento
E a Palestina treina os seus argumentos de pedra

Um bom filme de acção começa no deserto
Moisés liberta-nos com uma metralhadora
É a Lei gravada a ódio
De todos os diamantes de Angola
O Muro derrubado
Ocidente de alta tecnologia

De todos os lugares do mundo, Moisés
Agora, precisamente agora
Começa toda a história
Sem paralelo 38
Norte e Sul de um cenário televisivo

E é preciso correr até à meta prometida
Rambo contra o seu duplo
A bala calibre agudo alojada na alma
Uma ciência lascada no sílex

Ter e haver ainda nada
Ruanda dos nossos safaris mais cruéis
O homem à solta com as suas mandíbulas e garras

Talvez o golpe de misericórdia,
Neste deserto franco-atirador
O tempo cortado no último take
Plano americano, olhos nos olhos

Como sempre sobrevive-se a tudo
E nada falta neste deserto
2000 (um “agora” já antigo)

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Até ali

Uma vontade de não ouvir mais.

As pedras resmungam, resmungam, resmungam... Vou dar uma volta.

domingo, 28 de junho de 2009

Resposta: Somos palavra por palavra

Sem dúvida, o anonimato praticado na vida real é ignóbil por de mais, cobarde no uso de atirar pedras para esconder a mão. Acredito é que o mundo virtual dos blogues pode existir sem essa sordidez, pois não é no nome que reside a identidade. No uso que se faz da escrita sim, está a marca digital do nosso carácter. Ela é de tal maneira única que nos revela mesmo sem B.I. nem assinatura.

Não como esconder o rosto porque há sempre uma sílaba que nos denuncia.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

QUEM SOMOS?

Nos blogues joga-se em excesso tanto com a verdade como a mentira. A escrita protegida por um suposto anonimato pode ser um refúgio, mas também lugar de abertura e liberdade.

Declaro, sou a que aqui se mostra. A outra, se existir, não me representa.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Coitadinhos

Deviam haver mais estacionamentos para os créditos mal parados.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Faz de conta


Já não há polícias como dantes. Nem padres, nem professores, nem médicos. São todos demasiado jovens. Apetece-me brincar às casinhas.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

De loucos, temos muito pouco!


Será possível ter ideias próprias? Posso estar muito errada, mas no quotidiano verifico que, embora em escalas diferentes. toda acção e pensamento são condicionados. Quando tal não acontece, é porque se está pisar a linha ténue entre a sanidade mental e a loucura. Todavia, é esta última que também leva à genialidade.

sábado, 13 de junho de 2009

Coisas que chateiam uma pessoa



Na festa ao St.º António já não há foguetes, nem zés pereiras, nem um pavilhão enfeitado com flores, nem a valsa da meia-noite. Em vez disso, há altifalantes com Tony's Carreira e Ana's Malhoa. Que seca, durante 3 dias não vou dormir a minha sesta em paz!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Não fazam barulho


Não sei quanto mede exactamente um palmo, imagino que deve ser muito aproximado ao comprimento de um lápis já meio gasto, daqueles que fazem trinta por uma linha e nunca chegam a descobrir que há bichos carpinteiros de tal maneira cansados de fitas métricas que adormecem em pleno voo.