sexta-feira, 16 de outubro de 2009

CHOCOLATE


São as pétalas dos dias que me alimentam
Às vezes de forma tão inusitada
Que penso: Esta flor será para mim?

Quem me dera saber agradecer...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A TORRE DE BABEL

O melhor tempo e o da expectativa; a realidade é sempre frustrante pois quase nunca corresponde ao grau do nosso empenho. É necessário que haja sempre uma próxima etapa mais aliciante do que a anterior. Isto quer dizer que, as acções da maior parte das pessoas, ocorrem porque há sempre uma tendência para se conseguir outros resultados, mesmo que nunca se alcance o cume da vontade.

Somos inesgotáveis porque as possibilidades também o são.

Concluir uma coisa não nos leva a ficar satisfeitos nos cem, porque acontece logo um regresso ao zero de onde tínhamos partido e aonde a nossa força se mantém intacta, pronta a desenvolver-se mais intensamente.

Todo tempo é de expectativa, estamos num núcleo que se abre ao infinito. Realizar é apenas ir aperfeiçoando pequeníssimos detalhes de uma obra que não nos é dada conhecer na totalidade, pois essa obra excede sempre os limites dos nossos actos. Mas não atingir a totalidade não significa que sejamos sacos rotos, é antes a condição necessária à nossa liberdade. É sempre possível o MAIS sem que o TUDO venha a impor fronteiras ao nosso voo.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

SETEMBRO SOBRE OS OMBROS


Este ano o Outono ainda arde com Sol
Ainda não começou a cair de cansaço

Mantém as sombras verdes

Sombras plácidas boas para um recolher

De pássaros com silêncio

Boas para um folhear distraído de memórias

Pequenos álbuns de luzes já amarelecidas

Já esbatidas pela repetição dos rostos



Este ano o Outono tem uma lista de nomes a menos

Mas a melancolia ainda está por chegar



Por enquanto as praias continuam abertas

É só mergulhar e recolher as uvas mais doces

Esperando que o mosto fermente no olhar

E pisando o horizonte até à criação do verbo novo



Mas este Outono irá virar de repente

Varrido por um vento forte

Que cobrirá o chão com todas as cores do frio

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

COBERTOR DE ESTRELAS


Ao abrigo de um decreto-lei

Não devia haver nenhum sem-abrigo

Mas todos nós ficamos abandonados à intempérie

Dos espaços amplos e sem fim

Que se têm de percorrer de um lado para o outro

Sempre

Para estar a par das novas avenidas

Das novas super-novas que nos cobrem

O corpo de papel e de cartão molhado

Todas as palavras ficam frias

Quando cai o relento

terça-feira, 15 de setembro de 2009

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Perfeição

Perfeito é o que está moldado de acordo com a minha vontade. Desejo desenhar um círculo: Ele será perfeito quanto melhor a minha vontade dominar as minhas mãos e o compasso.

Então as coisas só serão perfeitas quando a vontade for tão forte que não deixe nada ao involuntário.

Mas não será possível que eu queira produzir um erro voluntariamente e produzi-lo na perfeição?




Pensamentos antigos, do tempo em que não me dispersava pela internet.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

DE CARAS

Quando o direito à privacidade é violado pela google street view faça-se a denúncia na TV.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O POLEIRO

É preciso ter galo para aturar um galo armado de galo. Este é de crista altiva e deve ser biologicamente anacrónico porque canta como se desconhecesse as vicissitudes dos tempos actuais, dos telemóveis impiedosos que nos ladram ao milésimo de segundo e nos puxam pelos ossos do oficio. Mas se o galo insistir muito, vai ao forno. Nem os ossos vão ficar para contar a história da humanidade.

Mal por mal, prefiro um pavão a anunciar chuva.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

EM VOGA

E o amor, esse, ainda se usa?
Claro que sim, mas ao desbarato

Em mensagens de 5 cêntimos por segundos.

Continua ridículo como sempre, embora já ninguém se importe

Pois as coisas esdrúxulas tornam-se demasiado enigmáticas.

Sinais do progresso!

smile e I
you para todo a vida
(Que é como quem diz, até a próxima esquina

se tanto...) Depois esquece-se porque estas coisas são mesmo assim,

Umas vezes incapacitam o nervo óptico

Outras vezes inspiram agudas artes, tipo loucamente e etc.

Com pouca vontade, mais para se ver do que para ser.


Amor sim, de todas as medidas, incluindo o XL

Próprio para pessoas de grande porte e maior estilo,

Que a figura também conta para as contas…


Em períodos de grandes achados arqueológicos

É preciso escavar e remover todos os pontos negros da pele,

É preciso um carbono 14 para distinguir as datas inexactas

Do amor que se encontra de repente, quer dizer,

Usando a fragrância certa: ora picante, ora fresca...


Em épocas de grandes tratados internacionais

É fácil sair de órbita, basta acertar no amor

E nos números até às dezenas de milhar,

Porque mil emoções não preenchem o vazio do ar.


É fácil gritar o amor que ninguém sabe.





terça-feira, 18 de agosto de 2009

Pensamento às 15:15

Só quando se é extremamente lúcido se vive no pavor da loucura.